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Hoje faz um ano que passei a ser dona do meu tempo. Gosto me referir assim à inciativa de largar meu emprego em uma grande empresa para trabalhar por conta própria. Eu já tinha marcado essa data para escrever algo como um update sobre como minha vida anda desde então e contar tudo o que aprendi nesse período.

É claro que não foi uma decisão fácil e me exigiu certo planejamento (como ter uma reserva de dinheiro, por exemplo), mas olhando para trás posso garantir que em nenhum momento eu pensei “a vida era melhor antes”. Isso porque dificuldades sempre aparecem e quando você começa a trabalhar por conta própria tem que aceitar trabalhos que nem sempre lhe apaixonarão, mas pelo menos, mesmo nas tarefas mais chatas eu pensava “é melhor fazer isso do que viver no ambiente que vivia antes”.

Preciso esclarecer esse “ambinte que vivia antes”. Não vou aqui jogar pedras em ninguém ou na empresa que me ensinou muito por 6 anos da minha vida. Aliás, só mesmo com tudo o que aprendi nos meus 10 anos de mercado eu pude alcançar a capacidade de poder trabalhar como trabalho hoje. Devo muito do que tenho hoje ao meu passado.

Quando uso essa expressão é apenas para exemplificar um ambiente que muitos devem conhecer e muitos também devem amar, que é o mundo corporativo. Conheço pessoas que são apaixonadas por seus trabalhos em grandes empresas e que realmente se encontram nesses lugares. Só que no meu caso, esse “ambiente” definitivamente não era meu habitat.

Eu até achei que fosse. Crescida em uma casa onde os pais trabalharam por décadas na mesma empresa (e até se conheceram nela, fizeram amizades para a vida toda nela), sempre achei que minha vdia seguiria o mesmo curso e que a vida plena é garantida com um bom emprego. Se é um bom emprego em uma grande empresa, você passa até a ser uma pessoa adimirável, justamente porque a maioria acredita que um bom crachá é o único caminho para a felicidade.

O grande erro está justamente no foco. Quando as pessoas precisam tomar decisões importantes, na maioria das vezes, é o dinheiro o fator responsável pela decisão. Assim, escolhemos empregos pelo salário e não pela satisfação e qualidade de vida que podem nos trazer.

E lá se vai grande parte da vida, deixando que o dinheiro nos guie e nos obrigue a acordar desanimados pelas manhãs, comer qualquer coisa na hora do almoço, fazer hora extra mesmo exaustos e xingar todas as segundas como se ela fosse a causa de todo o nosso mau humor. Tudo isso para aproveitar a vida apenas nos fins de semana e nas férias.

Por muito tempo eu me senti sufocada porque não achava isso justo, mas ao mesmo tempo não enxergava como sair dessa situação. Como sobreviver sem salário, como ser respeitada sem emprego… cheguei a achar que a culpa era minha, que eu não me adaptava ao que todo mundo se adaptava, que era preguiçosa e tudo mais.



Hoje eu acordo antes das 6h, vou à academia com meu noivo, volto, tomo meu café pacientemente lendo meus feeds preferidos e começo a trabalhar. Trabalho, trabalho, trabalho… e não consigo parar até tarde da noite. A diferença de hoje para antes é que não vejo a hora passar, não espremo o relógio para ver se da o horário da saída e nem rezo para não me pedirem “algo importante para amanhã” depois do expediente. Eu, simplesmente, perco a noção do tempo porque ele é meu, só meu e de mais ninguém.



Ao perceber que não conseguia parar de trabalhar porque a cada minuto aparecia uma nova ideia para desenvolver, resolvi fazer um pacto comigo mesma de parar impreterivelmente às 17h. Até programei o despertador para esse horário, mas cada vez que o ouço tocar, em vez de me sentir aliviada, eu me espanto “sério? já? que saco!”, simplesmente porque não quero parar.

E esse sentimento não deveria ser exceção, todo mundo deveria sentir isso, essa vontade de trabalhar, essa sensação de que está fazendo algo que lhe apaixona e não consegue largar.

Dos trabalhos chatos, vieram os projetos interessantes e fui descobrindo novos caminhos, acertando as arestas, ajustando meu foco. Hoje faço exatamente e somente o que gosto. Descobri que o nicho ideal era justamente o nicho que mais me apaixonava.



Mas de tudo isso que eu escrevi, você não precisa guardar quase nada na sua memória, somente a frase que mais me vem à cabeça nos últimos tempos “dinheiro não traz felicidade, é a felicidade que traz o dinheiro”. Seja feliz e o dinheiro virá.

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