Paris, Paris...

Eu não sei se minha vida mudou muito em um ano ou se este foi o primeiro ano em que comecei a prestar atenção nas mudanças. Talvez ela esteja mudando o tempo toda, eu apenas ainda não tinha tido crises existenciais. Crises no bom sentido, preciso dizer.

Meu 2015 começou em Paris e de um jeito que eu não havia planejado. Foi tudo tão rápido: promoção de passagem, contas na ponta do lápis, loucura e enfim, malas às pressas. Em 15 dias passei de “não sei o que farei no réveillon” a três semanas incríveis na Cidade Luz. Shame on me, nunca tinha ido.

Não sou de superstições, sempre disse que não adiantava pular não sei quantas ondas à meia-noite se, obviamente, não daria certo porque todos esquecíamos que estávamos em horário de verão. Eu detesto lentilha, então acho que por isso nunca serei rica. Mas confesso que sempre evitei comer frango porque cisca para trás, just in case.

Enfim, passados dez meses daquele réveillon, começo a acreditar que há alguma mágica sim naqueles segundos – com ou sem horário de verão – porque o ano que começou numa loucura, terminará em outra. Enqaunto escrevo esse texto confuso – adjetivo perfeito para definir minha vida agora – resolvo os últimos trâmites para me mudar e não para outro bairro, mas sim para outro país.

Au revoir Brasil, hello Canada. Talvez eu devesse ter interpretado minha passagem de ano em Paris como sinal de uma urgência em aprender francês, língua pela qual já assumi meu amor platônico: eu amo o francês, mas ele não me ama. Já tentei aprender três vezes e agora sinto como se fosse viver um país apenas por sua metade inglesa.

Mas enquanto não aprendo mais uma língua, vou juntando meus trapinhos e minha coragem para essa aventura. É verdade que não será a primeira vez em que moro fora do Brasil, mas agora não tenho mais 21 anos como da outra vez, terei fôlego para começar tudo de novo?

E sim, estou falando como se 2015 já tivesse terminado e não chegamos nem em novembro. Não se iluda, você com certeza já viu alguma decoração de Natal este ano, não sou a única adiantada. Na verdade, tenho um sério problema com términos da minha vida, parece que são sempre antecipados. Antes de me formar na faculdade eu já estava me inscrevendo no mestrado e e organizando minha mudança. Agora, ainda não terminei o MBA e já estou inscrita em uma nova faculdade. Diga-se de passagem, um termina um dia depois de ocmeçar o outro. Eu e minha mania de nunca enxergar um fim das coisas, apenas meios.

Agora vou eu para outro meio, porque duvido que este seja o fim. No máximo, 2016 é um começo.

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