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Para gostar de ler e compartilhar

Posted by Luciana | Posted in Livros, eReaders, ebooks | Posted on 14-03-2011

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Livros, livros e mais livros… um dia será raro chegar numa casa e se deliciar com uma estante cheinha de livros para descobrirmos. Num momento em que “social” está na moda, parece meio paradoxal que estejamos caminhando para um mundo em que não trocaremos mais livros, não teremos mais sebos e nem exporemos nossas leituras na tribuna de honra das nossas salas.

Ok, pareceu muito pessimista o que eu disse. Lá no fundo, acho que sebos continuarão existindo, mas serão ainda mais raros e frequentados por gente considerada “esquisita”, dessas que tende a preferir coisas antigas. Serão os colecionadores de vinil de hoje. Talvez você também conserve alguns exemplares dos seus livros, por puro saudosismo, mas a verdade é: a leitura não será como a vemos hoje.

Há um mês comprei meu primeiro eReader – um Nook Color – e tenho experimentado uma nova forma de consumir livros. Eu já lia livros eletrônicos no mac e no iPod Touch, mas ter um aparelho próprio para ler, faz toda a diferença. Decidi esperar um mês para escrever minhas impressões sobre meu mais novo melhor amigo, mas me surpreendi ao percerber que o mais importante ao falar de eReaders não é falar de suas configurações (muitos blogueiros mais especializados que eu já o fizeram) e sim da mudança que isso traz na vida de uma leitora assídua, como eu.

Que não há o peso do papel, que há espaço para trocentos mil livros dentro de um aparelhinho de poucas gramas e bla bla bla… é meio obvio. Mas as mudanças foram muito além de facilitar o transporte dos meus livros. O Nook – ou qualquer outro eReader – é capaz de mudar comportamentos. Para começar, as possibilidades se amplificam, você passa a ter disponíveis inúmeras lojas no mundo onde possa comprar – ou às vezes baixar de graça – livros de todos os tipos. Sem precisar ir a uma livraria física ou pagar um frete (que às vezes é quase tão caro quanto o livro) e esperar dias ou semanas pelo seu pedido, a compra fica muito mais atrativa, e impulsiva também.

E já no processo de compra começam as mudanças às quais me referia. Para começar. você não vai até uma livraria, toma um tempo procurando entre estantes, senta para ler orelhas ou troca informações com algum vendedor. A compra se torna um processo muito mais solitário.

Depois o livro – ou melhor, o arquivo – é baixado direto para seu aparelho e fica ali escondido. Se você ler no ônibus, por exemplo, ninguém ao redor saberá o que você está lendo, matando assim, a pequena – mas existente – possibilidade de alguém puxar conversa por causa do tal livro. Você não será rotulado pelo livro que está lendo, logo, você despertará menos interesse às pessoas à sua volta.

Está bem, você pode estar pensando que isso que estou dizendo é muito etéreo, mas pense: nunca lhe perguntaram nada sobre algum livro que você tinha em mãos? Acho que sua resposta será “sim”.

Por outro lado, se abrem novas possibilidades como, por exemplo, compartilhar (outra palavra que está na moda). Antes, a gente emprestava um livro a um amigo já sabendo que, possivelmente, ele não retornaria à nossa estante. Com os ebooks, os livros podem ser multiplicados e espalhados para quem você quiser, mais de uma pessoa pode lê-lo ao mesmo tempo até. Isso sem falar nos recursos que muitos eReaders já trazem (e serão padrão no futuro) de compartilhar trechos em redes sociais. É tão simples: você destaca o que gostou e posta no Twitter ou no Facebook. Parece um detalhe, mas não é. Eu vejo como sementes que serão espalhadas ao vento e, encontrando um lugar propício, poderão germinar em outras terras. Ou seja, um trecho que você compartilha, poderá instigar um amigo a ler o livro inteiro.

Vale lembrar também que a chegada da música digital coincidiu com o início da ruptura dos processos de produção, distribuição e venda de músicas. Gravadoras viram seus lucros despencarem, artistas consagrados ficaram menos ricos e, ao mesmo tempo, músicos iniciantes tiveram a oportunidade de fazer sucesso. Tudo isso porque alguém inventou essa tal do Mp3. Vendo esse cenário, não é difícil pensar o que pode acontecer com a indústria dos livros: grandes editoras terão que repensar seus processos, autores de renome verão seus lucros diminuírem, mas também novos autores terão oportunidades de viver de Literatura.

Assim como o iTunes, Spotify e outros players com idéias novas indicaram o caminho a ser seguido pela indústria fonográfica, a Amazon parece dar sinais de como seguir em frente, mas ainda acredito que outros players e novas ideáis precisarão surgir para equilibrar esse novo cenário na Literatura. Ainda há muitas livrarias – a prórpria Amazon, por exemplo – que vendem o livro com DRM (Digital Right Management), uma forma de restringir o compartilhamento do arquivo com outras pessoas. O prórprio iTunes começou a vender música assim, mas teve que tirar a restrição por pressão dos usuários, que enxergam a compra de um arquivo como direito de posse, como se fosse um bem material qualquer. Faz todo o sentido. Quando compramos algo numa loja física, esse objeto passa a ser nosso e queremos ter o direito de decidir o que fazer com ele: dar, emprestar, etc. Com os livros não será diferente.

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