Crônica de uma morte anunciada
Postado em sexta-feira, junho 19th, 2009 at 11:12 amE finalmente aconteceu o que já se previa há muito tempo: caiu a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Entre gritos, protestos e desespero dos coleguinhas acostumados a fórmulas de bolo, tive uma sensação de que a vida continua. Como está e bem.
Pra falar a verdade, a primeira reação foi de indignação, como assim passar quatro anos da minha vida me esforçando, driblando as dificuldades de estudar numa universidade pública brasileira e agora falarem que foi em vão? Não, não foi em vão, aprendi muito. Mas não aprendi a escrever lá. Nem a fotografar, muito menos a ter cara bonita para a televisão. O que aprendi foi mais do que isso, aprendi a pensar. Sim, porque num país onde a Educação está tão defasada e a sociedade paga os seus pecados instituindo sistemas de cotas, uma das coisas mais valiosas é aprender a pensar.
Pensar não é copiar metodicamente o que está escrito no quadro. Também não é decorar o que é lead, o que é pirâmide invertida ou que uma morte interessa mais que dois feridos. É principalmente saber absorver informação e transformá-la em conhecimento, e além disso, usá-lo para evoluir.
E por falar em evoluir, a Comunicação evoluiu e parece que muita gente não se deu conta. Perderam tempo gritando por todos os cantos que blog não é jornalismo e que a internet é uma ameaça para os jornais. Não se deram conta que os paradigmas aprendidos em livros de décadas passadas caíram e nem aprenderam com as experiências de que cada novo veículo trás uma nova forma de se comunicar. Blogs, microblogs, redes de blogs… quem lutou contra eles não soube aprender com eles. E aí está a importância em saber pensar.
Apoio quem tem diploma e continuo tendo orgulho do meu. Na prática sabemos que profissionais qualificados sempre terão mais chances. Assim como também sabemos que há profissionais de outras áreas que podem contribuir para a evolução da Comunicação. Nunca o Jornalismo foi tão interdisciplinar e quem aprendeu a pensar lá na faculdade (seja de Jornalismo, Filosofia, Ciências Políticas…) será bem-vindo porque, para ser sincera, acho que tem muita gente por aí com diploma que não tem um terço da perspicácia (e do sentido de viver em sociedade) que o João que mandou sua foto indignado com o buraco da sua rua para o jornal. Sim, Jornalismo Cidadão é isso, é ir mais além, é denunciar, é participar e, para tudo isso, é preciso pensar.









