É, as pesquisas comprovam o que eu já tinha observado desde que voltei para o Brasil: os brasileiros usam mais o Orkut que o e-mail (matéria da Folha de S. Paulo). Eu já tinha meu perfil há algum tempo, mas nem entrava muito quando estava na Argentina, afinal lá a moda é estar no Facebook, onde eu tmabém tenho perfil. Achei engraçado quando conheci um brasileiro em Montevidéu (eu ainda morava em Buenos Aires) que, em vez de pedir meu e-mail, me perguntou se eu tinha Orkut.
E não sei o motivo, mas a moda pega mesmo. Desde que eu cheguei entro todos os dias no Orkut para ver os scraps, responder, ver quem subiu fotos e videos novos, adicionar conteúdos… talvez seja porque é mais aberto e nós brasileiros adoramos bisbilhotar a vida dos outros. Isso sem contar que em alguns minutos você pode se informar muito sobre algumas pessoas. Vai dizer que as comunidades que entramos não dizem bastante sobre nós mesmos? Sem falar nos contatos, saber com quem certa pessoa se relaciona, como conversa com as outras…
Antes conhecíamos uma pessoa e íamos descobrindo coisas novas com o tempo. Às vezes nos surpreendiam para bem ou para mal, mas não assim de cara. Tenho uma teoria de que cada vez mais os relacionamentos são artificias, assim como a maioria das coisas atualmente. Em uma sociedade onde as marcas impõem os gostos à maioria em um piscar de olhos, as pessoas se acostumaram ao “imediatismo” também nas relações pessoais.
Já são cada vez mais raros esses momentos mágicos em que você está saindo com uma pessoa há algumas semanas e, na sorveteria, ela pede sorvete de chocolate com nozes e você “ah, você gosta de sorvete de chocolate com nozes? É o meu preferido!” e done, você acha que é o amor da sua vida (não importa se é ou não é de verdade). Agora você conhece alguém numa noite, vai para casa e já vê na lista de comunidades dela “Adoro sorvete de chocolate com nozes”. Onde está o romantismo nisso tudo?
Isso sem falar nos inúmeros amores desperdiçados por bobagens. Voltando à mesma situação da sorveteria: você acaba de descobrir que são almas gêmeas por causa do gosto do sorvete e, de repente, o seu grande amor diz que esse momento faz lembrar uma música linda do Bruno e Marrone… urg… seu estômago se retorce de decepção… mas você acaba aceitando, afinal, seu coração já foi fisgado.
Nos tempos do Orkut, essa relação não teria sobrevivido o suficiente para chegar à sorveteria. No dia seguinte você já teria visto na sua lista de comunidades “Amo Bruno e Marrone” e, provavelmente, bloquearia o seu perfil.