Hoje organizando meus livros e afins, encontrei um que me fez voltar no tempo e rir da época em que sempre havia um argentino perto para poder ser sacaneado. Decidi contar umas curtas histórias sobre as minhas “divergências futebolísticas” com os hermanos.
O primeiro caso aconteceu antes mesmo da Copa do Mundo de 2006. Eu estava bisbilhotando uma das inúmeras livrarias da Calle Corrientes, quando encontrei um livro chamado Argentina en los mundiales (”Argentina nas Copas do Mundo”) e, o mais interessante, cusatva somente $5 (cerca de R$3!!!). Procurei um funcionário e perguntei se o preço estava correto. Nunca vou me esquecer do nosso pequeno diálogo:
Ele: Está correto sim.
Eu: Nossa, mas tão barato.
Ele: É que ele está desatualizado, só conta até a Copa de 98, a última ficou de fora.
Eu: Digamos que não há muito o que acrescentar na última, né? Vocês foram embora tão rapidinho.
Quando eu percebi que era a única que estava rindo, corri para o caixa, paguei e nunca mais voltei. Se em vez de livraria fosse um restaurante, com certeza ele cuspiria no meu prato.
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Estava numa aula do Mestrado, quando o assunto se transformou em Copa do Mundo, tema inevitável já que faltava muito pouco para a estréia da Argentina. O professor disse que não tinha muitas esperanças por causa das estatítcas: “nunca um país americano ganhou uma Copa do Mundo na Europa”, insinuando que seria tudo armado.
Eu, tonta, tratei de corrigi-lo: “mas professor, o Brasil ganhou na Suécia em 1958″. Pronto, me senti um Nemo no meio de um cardume de tubarões brancos me olhando, ávidos por sangue.
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Por causa de alguns feriados teríamos que fazer horas extras para uma matéria. O professor – que já no primeiro dia de aula, quando descobriu que eu era brasileira falou que se o Brasil fosse campeão eu poderia me considerar reprovada (nunca soube se falava sério) – marcou a reposição justo no sábado em que jogavam Brasil e França.
Eu queria matá-lo, mas quando os alemães mandaram a Argentina embora pra casa um dia antes da reposição, pensei que aquela aula poderia ser divertida. Para enfrentar o frio coloquei meu cachecol verde-amarelo que a minha mãe fez especialmente para a Copa do Mundo e fui para aula.
Tive que me esforçar para conter o riso enquando todos me olhavam chegar triunfante. Nem disse nada, não precisava dizer. O professor já foi logo avisando “Srta. Couto, se disser uma palavra hoje vai reprovar na prova da semana que vem”. Mas eu nem tinha vontade de falar mesmo…
Quando ele passou a matéria da prova e o pessoal reclamou (para variar) justificou “pessoal, vamos parar de preguiça, a Copa já acabou”. Olhei para o relógio e vi que era a hora em que tinha que sair para poder ver o jogo do Brasil. Foi só me levantar para o professor perguntar “onde vai?” (como se não soubesse!!!). “Desculpa professor, mas a Copa não terminou para todo mundo.” hahaha
Cheguei a tempo de ver aquela derrota ridícula para a França e escutar os fogos de artifício dos argentinos que comemoravam a desclassificação do Brasil. Na semana seguinte, na prova, descobri que mais da metade das questões do exame eram de matéria dada depois que eu tinha ido embora. Ele soube se vingar muito bem.