Archive for junho, 2009

Crônica de uma morte anunciada

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E finalmente aconteceu o que já se previa há muito tempo: caiu a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Entre gritos, protestos e desespero dos coleguinhas acostumados a fórmulas de bolo, tive uma sensação de que a vida continua. Como está e bem.

Pra falar a verdade, a primeira reação foi de indignação, como assim passar quatro anos da minha vida me esforçando, driblando as dificuldades de estudar numa universidade pública brasileira e agora falarem que foi em vão? Não, não foi em vão, aprendi muito. Mas não aprendi a escrever lá. Nem a fotografar, muito menos a ter cara bonita para a televisão. O que aprendi foi mais do que isso, aprendi a pensar. Sim, porque num país onde a Educação está tão defasada e a sociedade paga os seus pecados instituindo sistemas de cotas, uma das coisas mais valiosas é aprender a pensar.

Pensar não é copiar metodicamente o que está escrito no quadro. Também não é decorar o que é lead, o que é pirâmide invertida ou que uma morte interessa mais que dois feridos. É principalmente saber absorver informação e transformá-la em conhecimento, e além disso, usá-lo para evoluir.

E por falar em evoluir, a Comunicação evoluiu e parece que muita gente não se deu conta. Perderam tempo gritando por todos os cantos que blog não é jornalismo e que a internet é uma ameaça para os jornais. Não se deram conta que os paradigmas aprendidos em livros de décadas passadas caíram e nem aprenderam com as experiências de que cada novo veículo trás uma nova forma de se comunicar. Blogs, microblogs, redes de blogs… quem lutou contra eles não soube aprender com eles. E aí está a importância em saber pensar.

Apoio quem tem diploma e continuo tendo orgulho do meu. Na prática sabemos que profissionais qualificados sempre terão mais chances. Assim como também sabemos que há profissionais de outras áreas que podem contribuir para a evolução da Comunicação. Nunca o Jornalismo foi tão interdisciplinar e quem aprendeu a pensar lá na faculdade (seja de Jornalismo, Filosofia, Ciências Políticas…) será bem-vindo porque, para ser sincera, acho que tem muita gente por aí com diploma que não tem um terço da perspicácia (e do sentido de viver em sociedade) que o João que mandou sua foto indignado com o  buraco da sua rua para o jornal. Sim, Jornalismo Cidadão é isso, é ir mais além, é denunciar, é participar e, para tudo isso, é preciso pensar.

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Rumo à web semântica?

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A semana passada foi bem agitada para os mecanismos de pesquisa. Eu diria inclusive que há muito tempo não víamos tanta novidade.

Para começar, a Microsoft lançou mais uma versão para o seu buscador (tá bom, é um novo buscador) e o (re)batizou de Bing. Segundo a empresa, não é simplesmente um “buscador” e sim uma ferramenta que auxilia na tomada de decisões. No Brasil, ainda não dá para usar todas a possibilidades que os norte-americanos já têm disponíveis, como por exemplo, planejar uma viagem. Mas já podemos ver a carinha dele.

Todo o barulho que a MS fez (com direito a comerciais da TV norte-americana) pareceu ter surtido efeito quando lá para sexta-feira foi divulgado que o Bing havia passado o Yahoo! e assumido a segunda posição no ranking dos buscadores. Mas só pareceu mesmo, porque há quem diga que o motivo foi outro. Alguns usuário do Internet Explorer 6 (vai aí mais um motivo para largá-lo) notaram que a busca padrão do seu navegador mudou para o Bing sem que eles tivessem feito essa opção. Mesmo os que tivessem como padrão o Google ou outro, receberam resultados do novo buscador da Microsoft.

Agora eu lhe pergunto, como você se sentiria se um dia acordasse, fosse na geladeira e a Parmalat tivesse trocado o leite que você escolheu no supermercado por um da marca dela? Por mais que o leite dela fosse melhor (isso é questão de gosto), você não se sentiria invadido?

A Microsoft correu para se explicar e disse que a “falha” já foi reparada e que respeita o direito de escolha dos seus usuários acima de tudo.

Na paralela, o Google lançou o que foi visto como os primeiros passos rumo à web semântica, o Google Squared. Na verdade, é um buscador que organiza os resultados em tabela, ajudando na tomada de decisões (uai, não era o Bing que fazia isso?).

Marissa Mayer fez uma breve apresentação no último dia 3 e usou como exemplo a expressão cachorro pequeno (small dog). Como resultado, o Google apresentou uma tabela com muitas informações separadas por raças de, claro, cachorros pequenos. Assim como o Bing, logo ficamos sabendo que não teríamos as mesmas opções dos usuários norte-americanos, pois a pesquisa só funciona com termos em inglês.

Mesmo assim, fiquei animada para brincar com o buscador, mas logo percebi que mesmo em inglês ainda deixa muito a desejar. Uma variação da pesquisa apresentada, cachorro grande (big dog) já nos apresenta uma quantidade muito menor de informações e muito longe da organização que nos ajudaria a escolher uma raça.

Enfim, acho que ainda estamos um pouco longe da tão sonhada web semântica, mas se serve de consolo, é bom saber que pelo menos estão se movimentando. Quem sabe essa corrida da Microsoft para desbancar o Google não ajude nesse sentido. Num cenário de tanta hegemonia do gigante do Vale do Silício, só mesmo um buscador revolucionário poderia mudar a atual estrutura que temos.

Enquanto isso não acontece, você já sabe o que fazer se quiser escolher um cachorrinho de estimação. Mas só de pequeno porte, se quiser um cão de guarda, terá que esperar um pouco mais.

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