Hoje, à caminho do trabalho, fiz um pit stop básico no McDonald’s para comprar um cappuccino (O que posso fazer? Esse café é bom demais!) e logo que entrei já pensei “estou no inferno”. Já é costume meu passar por ali e por isso nem me assusta que quase nunca tenha alguém comprando algo de manhã (que diferença de Buenos Aires quando sempre tinha fila!). Mas tudo bem, nem todos são loucos de tomar café num clima tropical como o nosso.
Mas hoje estava especialmente infernal. Às 8h45, a temepratura fora era, como de costume nesta época do ano, por volta dos 30º, mas dentro estava, sei lá, muuuuito pior. Como eu passo ali sempre, já conheço quase todos os atendentes e perguntei à menina que sempre conversa comigo de manhã (sim, já somos quase amigas de infância) por que estava tão quente. Ela me respondeu que o ar condicionado estava com defeito e eles não podiam abrir as portas (regras são regras). “Que absurdo”, pensei, mas não devem demorar para consertar, pois sinceramente, metade dos soldadinhos não aguentaria até o meio-dia com aquele uniforme quente e aquele monte de chapas de big macs.
E de manhã o clima é realmente descontraido porque - como hoje - quase sempre eu sou a única cliente e eles já me conhecem. Enquanto eu esperava a menina passar o meu cartão de refeição, ela comentou com o colega “eles bem que poderiam dar uns cartões desses pra gente” e eu, curiosa como sempre, não pude deixar de perguntar como era a refeição deles. Claro, como toda criança que cresceu hipnotizada pelo Ronald McDonald’s, sonhava em viver ali dentro e passar o dia comendo hamburgueres e tomando casquinhas de chocolate. Mas sabe aquilo que dizem sobre ter cuidado com o que se deseja? Pois é, ela me contou que, segundo as regras (sempre as regras!), eles tinham uma hora de break (porque é uma empresa norte-americana e break é mais cool que intervalo) onde tinham direito (!) a comer um sanduiche e tomar um refrigerante. Se você trabalha seis horas, o refri é de 300ml, se trabalha oito (que bonzinhos!) você pode tomar o de 500ml.
“Mas eu gostaria de comer comida, sabe?”, ela comentou. Obvio! Eu também adoro um arroz com feijão. Fiquei impressionada com o que me contaram. Não há outra opção de refeição. Se você quiser algo saudável, tem que ir no restaurante do outro lado de rua e pagar do prórprio bolso. Perguntei se não podiam levar comida de casa. Sim, podem (tá vendo, são mesmo bonzinhos!), só que tem que comer frio, pois não há microondas disponível para os funcionários.
Tá certo que nada mais natural que servir a própria comida aos funcionários se é uma lanchonete, mas não é nenhum restaurante com grande variedade. Todos sabem que é prejudicial à saúde comer freqüentemente em fast foods, custava tanto dar um vale-refeição aos funcionários? Ou enttão, se não querem que saibam que incentivam os empregados a comerem fora, um microondas resolvia pra todo mundo, né? Afinal, para uma empresa tão poderosa isso não custaria quase nada!
Escrito por Luciana
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