Li hoje na Folha que a China proibiu sacolas plásticas gratuitas em lojas com o objetivo de diminuir a quantidade de bolsas jogadas no lixo diariamente. Foi inevitável me lembrar dos mercadinhos chineses de Buenos Aires que quase nunca davam bolsas suficientes. Com isso o governo portenho não tem que se preocupar.
Uma vez me contaram que o governo chinês, além de implementar a sua famosa e polêmica política de controle de natalidade, incentiva o povo a emigrar para outros países e assim, tirar um peso das costas. Normalmente, os que recebem esse incentivo do governo (não sei qual é o critério de seleção) vão para outros países com capital suficiente para abrir um pequeno negócio que sutente ele, a sua família e alguns empregados mais (de quebra, eles se livram de mais chineses). Parece que a Argentina tem um acordo com a China que facilita a instalação dos chineses e por causa disso, é muito comum encontrar pessoas com os olhinhos puxados por todos os cantos da cidade.
Normalmente eles abrem uma lavanderia, um restaurante (chinês, claro) ou um mercadinho. Diz a lenda urbana que onde há chinês não há cachorro de rua. Não sei se é verdade, mas desde que me contaram isso eu parei para analisar e nunca vi um cachorrinho andando sozinho em Buenos Aires. Por motivos obvios, eu não comprava carne nos mercadinhos deles. Mas como sou hipócrita, adorava os restaurantes chineses onde comia yaksoba, chaw mien, chaw fan… sem saber muito sobre a procedência da carne. Sabe como é, é a população que mais se multiplica no mundo, tão mal não deve fazer comer um totó de vez em quando. E a verdade é que os pratos eram realmente saborozos, principalmente no Barrio Chino (Bairro Chinês) onde eles estão concentrados. É relamente um pedacinho da China, onde você pode comer a comida deles, visitar o templo budista, comprar “iguarias” (leai-se insetos desidratados) do oriente e, se sobrar tempo, alugar um filme chinês em uma locadora especializada. Nosso problema sempre foi ler o cardápio, já que geralmente estava, claro, em chinês, como quase todos os letreiros do bairro.
Mas voltando ao tema das sacolas de plástico… Eu não costumava ir muito ao mercadinho chinês perto da minha casa, porque achava meio desorganizado e um pouco sujo, além de não ter a mesma variedade que um supermercado. Mas depois que descobrimos que lá os vinhos eram muuuuuito mais baratos (não me pergunte o motivo) virei freqüentadora assídua. Só que era sempre a mesma discussão maluca no caixa. Sempre queriam colocar duas, três, às vezes quatro garrafas de vinho em uma única sacola de plástico e era óbvio que não resistiria a quadra que teria que andar até a minha casa. Seria mais fácil talvez se o atendente e eu falássemos alguma língua em comum. Eu tentava espanhol, inglês, português… qualquer coisa, mas o cara só entendia mesmo o chinês (ah claro, ele sabia muito bem contar em espanhol, principalmente o dinheiro). O jeito era apelar para a linguagem dos sinais (acredite, há sinais que têm o mesmo significado em qualquer lugar do mundo) e eu acabava conseguindo pelo menos uma sacolinha mais.
Então, fico me perguntando, se os chineses consomem 3 milhões de sacoles plásticas por dia (isso disse a reportagem) mesmo com essa “mendigagem”, quantos eles consumiriam se me dessem o número correto para levar as garrafas para casa? Isso sem falar que o atendente nunca entendeu porque eu queria separar os produtos de limpeza das verduras na bolsa…
Nota: brincadeiras à parte, acho interessante a iniciativa do governo chinês e poderia servir de exemplo para evitar tanto desperdício.
Escrito por Luciana