E ainda tem gente que ri quando eu falo que o mundo lá fora é uma selva. Quem não entender o esquema da cadeia alimentar e não estiver preparado para lutar contra os predadores pode se dar muito mal. A regra básica aprendemos bem pequenos na escola: vence o mais forte.
Também aprendemos que em quase todas as espécies, o macho usa todas as suas armas para conquistar as fêmeas e, de quebra, ter o respeito do resto do grupo. Os leões lutam entre si para ver quem é o mais forte, já os pavões exibem suas plumas coloridas na tentativa de chamar mais a atenção que os rivais… enfim, estão todos, assim como nós humanos, ansiosos em conquistar a sua alma gêmea e acabar com essa luta diária de fingir que é feliz sozinho.
Mas se aplicamos essa “teoria” à raça humana encontramos um problema: aqui na nossa selva de pedras não são os machos que batalham por um par e sim as fêmeas. E as estratégias e armas são muitas: pode ser aquele vestidinho esbarrando na barreira da descência, uma frase de efeito na hora certa, um perfume com personalidade… vale até uma maquiagem com poderes mágicos! Seja qual for o método escolhido, a base da estratégia é superar as demais. E esqueça o fair play, na guerra das mulheres vale tudo.
Sexta passada fui com minha amiga B a um churrasco de uns amigos do marido dela. Era possível dividir a festa em três grupos: 1) os casados, 2) os que aproveitam essas festas cheia de casados para fisgar o ainda não casados- nem precisa falar que há um predomínio de mulheres neste grupo – e 3) eu, que sempre sou a do no club at all, sempre “não sei o que quero da vida”.
Bem, uma das garotas do grupo 2 se cansou de brincar com a sua tribo e tentou entrar de penetra no grupo 1. Com seu jeans bem justinho e brilho dos pés à cabeça (Sério, não tinha uma peça de roupa da menina que não brilhasse e com cores diferentes ainda… urg, too much honey! Alguém tem que avisar para ela que na guerra da conquista menos é mais!) começou a ”esbarrar” justamente com D, o marido da minha amiga.
B, que não é nenhuma boba, comentou a situação comigo. Eu olhei para a garota e tranqüilizei minha amiga “não, acho que não, com essa roupa ela tá dando em cima de qualquer um”… e rimos.
Hoje de manhã, ela me mandou um e-mail:
“Lú,
Nunca desconfie das suas percepções …. lembra do churrasco na sexta? Lembra da garota que disse que estava se jogando em cima do D*? Pois é, contrariando a sua previsão de que ela estava dando em cima de qualquer um por conta do roupa… ela só queria um, e advinha quem? Meu marido, claro.
Mas ela é tão sem vergonha que ficou se encostando no D* enquanto ainda estávamos lá – isso eu não vi, ele que me contou – para perguntar se era mesmo casado por conta da aliança que ele usa. Ele foi bem direto e disse que era e ainda muito fiel.
Que sem vergonha, não?”
E como eu dizia, para uma mulher não basta ganhar a batalha, é preciso destruir o inimigo:
“Por isso ela ficou um tempão com cara de bunda lá…risos. Bem feito !!!
E aí como foi o seu final de semana?
Beijos,
B*”
Pois é, para quem não se deu conta, quando eu comecei a contar a história das espécies eu escrevi “em quase todas as espécies, o macho…”. O senso comum nos leva a pensar que é sempre o macho que vai à luta, mas outro dia eu descobri que há pelo menos um outro tipo de animal que a fêmea é maior e chama mais a atenção. Além das mulheres, são as cobras as que assumem esse papel no reino animal.
*Eu editei o e-mail para proteger os nomes.