Archive for fevereiro, 2007

Viva o santo que nunca foi santo

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Aqui na Argentina o dia dos namorados não é comemorado em 12 de junho e sim, seguindo a tradição de muitos países do mundo, é comemorado no dia 14 de fevereiro, Día de San Valentín. Na verdade, a Igreja Católica não reconhece esse tal “santo”, que diz a lenda celebrava casamentos escondidos (acho que sei porque não é reconhecido). Verdadeira ou não a história, o comércio sempre aproveita, afinal, nem Papai Norl existe. E quem quer uma data mais para festejar aproveita também.

Fomos a um restaurante em Puerto Madero, que para variar, estava cheio de norte-americanos, onde a tradição de San Valentín, ou o Valentine´s Day - como eles chamam a data - é muito forte. Também vi muitos europeus pelas ruas saindo para conseguir uma mesa de restaurante. Aliás nunca entendi porque o Brasil não comemora no dia 14 de fevereiro como muitos países. Talvez porque se concincide com o carnaval… não dá muito certo. Bom, tradições e lendas à parte, o melhor mesmo é comemorar nos agora e em 12 de junho também. :)

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Aumbauê

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(Vídeo) Quando nasce uma criança, todos querem ir visitar, saber peso, tamanho, se tem todos os dedos, se se parece com o pai ou com a mãe. Mas quando nascem três a ansiedade é triplicada e todos querem ver o trigêmios e saber se são iguais. Pois é, sábado passado não aguentamos de curiosidade e fomos ver as novas criaturas arrancadas do quentinho ventre materno para a selva em que vivemos. Bem, pelo menos estes definitivamente vão estar bem longe da selva. Estou falando dos três tigres de bengala brancos que nasceram no Zoológico de Buenos Aires e foram apresentados ao público na semana passada.

Ainda não têm nomes, quem quiser pode sugerir no zoológico. Mas nem perdemos tempo com isso, a multidão não desgrudava o olho dos três pedaços de carne, que cada um já dava um lindo casaquinho (brincadeirinha, sou totalmente contra roupa com pele natural!), que eram carregados pela mãe pelo pescoço. Enquanto um era confortavelmente carregado pelos dentes da mamá, os outros se agarravam pelas patas traseiras da coitada (daí vi de onde vem o instinto de agarrar a perna da pequena felina que tenho em casa).

Não vimos o pai dos filhotes, o que para muita gente pode parecer politicamente incorreto. Como explicar às dezenas de crianças que estavam aí que a tigresa era mãe solteira? Ah se a igreja fica sabendo disso, manda fechar o zoológico!

Mas o zoo não é feito só de tigres e tigrinhos, também havia elefantes, girafas, lhamas, camelos… tudo o que um zoológico tem que ter. Mas vai uma dica: não é negócio visitar no verão porque os animais sentem tanto o calor que não querem saber de foto, nem nada. Passamos várias vezes pelo leão e não o vi sair da sombra, nem abrir o olho. Nem falar do pobre urso polar!

Simpáticos mesmo foram os animais da granja que comiam na nossa mão (claro, comprando o balde de comida autorizada pelo zoológico, porque são animais selvagens, mas estão dentro do sistema capitalista), assim como os veados, que não devem entender porque todos os que se aproximam dissem “olha o Bambi!”. Isso de dar nome aos animais é mesmo frustante, um biólogo encontra uma nova espécie e acho que deve passar dias pensando em um novo nome, para que venha Disney e faça com que todos os peixes coloridos sejam chamados de ”Nemo”. Tá bem, peixe palhaço não é um nome de espécie muito elegante, mas coitados dos golfinhos que sempre se chamam Flipper e das orcas (que não são baleias e muito menos assassinas!) que se chamam Willy. Clique aqui para ver o vídeo da visita.

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Recordar é viver #1

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Aqui na Argentina, que tem as estações do ano muito bem definidas, muita gente sai de férias em janeiro e fevereiro para aproveitar o verão. É impressionante ver a diferença no metrô e nos ônibus que vão muito mais vazios. Há menos pessoas nas calçadas, no cinema… enfim, a cidade se muda para o litorial – que pode ser o argentino ou o brasileiro. Na televisão não há nada, só reprise e há inclusive revistas que não se publicam nesta época! O Olé aguenta como pode distribuindo brindes e forçando as matérias sobre amistosos.

Até os blogs saem de férias e é muito comum que se republiquem textos. Então para entrar na onda da “reprise de verão” decidi também republicar alguns dos textos que tive mais feedback da gente neste últimos dois anos e meio.

Para começar, o mais aclamado sobre o cemitério da Recoleta:

Morte e arte em Recoleta

Pode parecer estranho, mas uma das atrações (e das mais visitadas) de Buenos Aires é o Cementério de Recoleta. Ontem queria descobrir se é veradeira uma teoria minha: que argentino não morre. Estou falando sério, moro perto desse cemitério e nunca vi um único enterro, sem contar que há vários hospitais perto e nunca ouvi barulho de ambulância. Está provado: vaso ruim não quebra… hahaha.Voltando ao tema, ou seja, à minha divertida (sério, é divertida!) visita ao cemitério… foi muito interessante porque neste último semestre tive que estudar muita coisa de história argentina para o mestrado e passear por aí é como viistar os personagens das histórias que minha professora contava. As visitas guiadas são gratuitas, em espanhol ou inglês (que pena, não tem em português) e duram cerca de uma hora e meia. Para quem acreidta que argentino bom é argentino morto (ai que humor negro, desde já peço desculpa a los hermanos, mas sabe como é, não podia perder a piada), recomendo a visita. Também a recomendo para quem aprecia arte, pois lá vai encontrar muitos túmulos tombados pelo patrimônio histórico. São monumentos construídos por renomados artistas argentinos e europeus com materiais nobres, principalmente mármore.

No século XVI os padres recoletos fundaram a Igreja de Pilar (que está ao lado do cemitério) e era aí onde os ricos eram enterrados. Era costume deixar os restos mortais dos ilustres da cidade na igreja e quanto mais próximo do altar, mais importante era a família. Depois de uma reforman político-religiosa na Argentina, foi determinado que não seriam mais enterradas pessoas nas igrejas, o que despertou um descontentamentos nos ricos. Para compensar, as famílias abastadas resolveram então constrir suas próprias capelas para enterrar seus mortos ao lado da igreja. Foi assim que começou a construção das tumbas de Recoleta.

A entrada do cemitério é linda e luxuosa, com um portal marcado com várias figuras, cada uma representando algo, como eternidade, luz, paz, essas coisas… Também está representado aí o dia a passagem bíblica que diz que um dia os anjos tocarão as trombetas e todas as almas se levantaram das tumbas (eu torcia para que não fosse ontem).

Para mim (opinião pessoal) o Cementério de Recoleta une duas características que notei nos argentinos: a ostentação e o culto exagerado aos mortos. Todo mundo que morre aqui vira santo e nem precisa ser uma Evita Perón, pode ser qualquer famoso, como um cantor que bebeu todas e morreu na estrada que liga Buenos Aires a La Plata. Na beira da pista tem uma capela onde vão visitantes pedir ajuda (ao menos, foi o que me contaram). Nem vou falar o caso de Gardel… coitados, deixem os mortos descansarem em paz!

As tumbas (ou capelas, como queira chamá-las) realmente são lindas, com muitas esculturas grandes e caríssimas. Algumas foram copiadas de obras de arte européias e feitas por artistas importantes. Além de contar um pouco da história argentina, o guia vai contando as histórias que cercam o cemitério. Há histórias dignas de tango! Três me chamaram a atenção pela forma trágic como morreram las jovens. Uma, a filha do General Mitre (quem é de fora, não conhece, mas aqui foi muito importante) pede ao seu pai que dispense seu noivo de ir à guerra, mas ele não a escuta. Quando seu futuro marido morre, ela não aguenta e se afoga no Rio de La Plata com seu vestido de noiva.

Você achou isso trágico? Pior foi a história de uma menina que morreu no dia do seu aniversário de 18 anos quando se arrumava para ir ao Teatro Colón. Quando colocava o colar de diamantes que havia ganhado caiu morta. Um tempo depois, ao abrirem o caixão encontraram seu corpo arranhado e fora de lugar, o que mostra que estava

 

 

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