O telefonema da Verônica quarta-feira passada me pegou de surpresa. Disse que estava em Buenos Aires e perguntou se não podíamos tomar un café. Justo nesse dia, justo na hora que eu saía do trabalho caiu um temporal sobre a cidade. Mesmo com guarda-chuva me molhei cruzando os poucos metros que me separam do Café Aroma.
Liguei pra ela, que estava encurralada no Burger King do outro lado da rua. Cruzei a Corrientes o mais rápido possível, mas foi em vão, me molhei do mesmo jeito. Presas aí não tínhamos outra alternativa senão tomar nosso café aí mesmo.
E aí, no meio do Burger King de Corrientes e Florida, molhada, sofrendo para segurar o guarda-chuva, a minha bolsa e a bolsa de ginástica que Verônica me contou que estava voltando para Quito. E assim, tudo de pressa, sábado às 6h partia.
Foi impossível não chorar lembrando de tudo, desde que nos conhecemos. Lembro que ela foi a última a chegar e se instalou na casa da Silvia, em La Plata. Lembro também quando a ajudamos a se orientar aqui na capital, e seu medo de tomar ônibus sozinha.
Que triste que é se despedir. Quando vamos embora é diferente, porque depende de nós voltar, mas quando vai outra pessoa, dependemos que ela queira voltar para nos ver de novo. É uma nova etapa que agora percebi que acabou. Não temos mais aulas, não tenho mais que levantar cedo no sábado e tomar um ônibus para La Plata, tomar café com medialunas na aula, muito menos dividir um mate com a turma. Também acabaram os cafés do intervalo na cafeteria de Alsina e Piedras (ou no Tortoni quando tínhamos mais tempo). Também acabou nossos cafés no Aroma, e por causa de um temporal, nem tivemos uma despedida com espreso machiato y muffin de chocolate. E pensar que foi ela quem me apresentou meu café preferido em Buenos Aires. E me apresentou os livros de Milan Kundera, sendo que o meu preferido se chama La despedida.


